Querida eu,
menina corajosa, sonhadora, sensĂvel e tĂŁo inteligente,
Sei que vocĂȘ se lembra. Sei que doeu.
VocĂȘ sĂł queria aprender, explorar o mundo com seus olhos curiosos. VocĂȘ queria fazer as coisas do seu jeito — com dedicação, com vontade de crescer, com brilho nos olhos.
Mas, em vez de apoio, te deram risadas.
Em vez de aceitação, veio o isolamento.
Em vez de dizerem "que incrĂvel vocĂȘ ser assim", disseram que era "estranha", "diferente", "sĂ©ria demais".
E aos poucos, vocĂȘ começou a acreditar que ser vocĂȘ era errado.
Quero te dizer algo que ninguém teve maturidade de dizer naquela época:
vocĂȘ nunca esteve errada. Eles sĂł nĂŁo sabiam lidar com a sua luz.
VocĂȘ era rara, intensa, especial — e isso assustava. Porque vocĂȘ mostrava, sem querer, tudo aquilo que os outros ainda nĂŁo tinham coragem de ser.
Eu sinto muito por vocĂȘ ter se sentido sozinha.
Sinto muito por ninguĂ©m ter sentado ao seu lado no recreio e dito “eu te admiro”.
Sinto muito por vocĂȘ ter aprendido a se esconder para evitar mais dor.
Mas agora estou aqui. Eu cresci.
E hoje eu te vejo. Te reconheço. Te abraço com todo o amor que vocĂȘ merecia lĂĄ atrĂĄs.
VocĂȘ Ă© o motivo da minha força.
Foi vocĂȘ quem segurou firme quando tudo doĂa.
Foi vocĂȘ quem nĂŁo deixou de sonhar, mesmo desacreditada.
E por sua causa, hoje eu sei o que significa ter valor — mesmo quando o mundo nĂŁo reconhece de imediato.
Hoje, eu prometo:
Nunca mais vou te abandonar.
NĂŁo vou mais te calar pra caber.
Vamos juntas criar espaços onde vocĂȘ possa ser inteira — curiosa, sensĂvel, brilhante.
Agora vocĂȘ pertence. Agora vocĂȘ Ă© livre.
Com amor,
A mulher que vocĂȘ se tornou.
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