Cada vez tenho ficado ainda mais reflexiva sobre o tempo, sobre o propósito e sobre minhas escolhas. Quem sou eu? Será que o eu existe? ou é mera ilusão? Por que temos tanta vergonha? Tanto medo de ferir o ego? Arrisca...
Não há nada que se possa perder, ou muito que se possa perder, construímos uma imagem de nós mesmos e a cada dia que passa desempenhamos uma árduo papel para manter e elevar esta imagem, mas algumas situações e fatos do dia a dia, nos levam a duvidar de nós mesmos e quem somos, porque afinal ainda não tenho assim tanta certeza de quem sou, a muito tempo tenho tentado fugir das minhas próprias vontades e anseios por vergonha ou medo de não atender expectativas, expectativas inclusive próprias e talvez dos outros também.
Tenho saudades do meu lado criativo, da falta de uma obrigação e da falta de preocupação, não em demasia, mas em doses, pequenas doses, para o eu relaxar, gosto de movimento, gosto de correria, mas também quero calma. As vezes sinto que sou uma contradição, tenho muito de muito e não sei dosar e equilibrar apenas, sei ser intensa e profunda, nas contradições que sou.
Devo me permitir mais, sair das minhas listas de tarefas, dos meus intermináveis planos para o futuro, para planos nenhum, apenas viver e viver o hoje com vontade, até se encontrar novamente no caminho de amanhã, porque o caminho de amanhã não está feito, mas ele não será feito também se vivido antecipadamente, apenas aprecie o hoje, aquieta suas preocupações, saiba priorizar, o tempo é finito e limitado, mas nossas limitações somos nós mesmos quem criamos. Para quê gastar o tempo de hoje vivendo o tempo de amanhã?
Lembre-se sempre viver é fazer escolhas, escolher como usar o tempo, é tudo sobre escolha, é tudo sobre o tempo, você pode fazer o certo na hora errada, e isso pode não parecer o certo, saiba se ajustar e entrar no fluxo do tempo, o tempo não para, não espera. Nesse momento você só precisa de você mesma, não porque é autossuficiente, nada disso, mas porque precisa, gostar da sua própria companhia, saber se respeitar, se acolher e se permitir, novamente entro neste assunto...
Se permitir é ser menos radical, é se aceitar deste jeitinho que é tirar este fardo das costas que não precisa ser carregado, é parar de tentar lutar consigo mesma, é apenas se aceitar, eliminar arrependimentos, viver o daqui para frente e o aqui e o agora.
Fale com você mesma, desabafe, o seu eu quer te ouvir, nem que para isso, você precise falar, então fale, fale alto, grite! o seu "eu" inexistente "eu" quer te ouvir, ouvir suas fortes palavras que vem de dentro, bem de dentro de si.
Choro enquanto vomito estas palavras ansiadas, sou feliz e grata por tudo o que tenho, não há motivos para chorar, á? mas não há problema em chorar também quando se tem necessidade, o choro é um desabafo da alma quando ela não se sente ouvida e agora está podendo falar, então falo e falo muito comigo mesma, me abraço em meio as lágrimas, lágrimas cuidadosamente sentidas.
Lado criativo, lado social, lado emocional, lado espiritual, senso de pertencimento, grupos, encontrar outras pessoas, que gostam de mesmos interesses, ser parte, fazer acontecer, procurar, encontrar, fazer e ser amiga.
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